terça-feira, 5 de abril de 2011

[pequeno tempo]

era um tempo,

em que a gente caia na rua,
e falava das sacanagens das cabeças,
e quase morria de rir da cara do mundo;

dos cigarros que a gente fumava na terça a tarde,
e saia correr na rua jogando bola,
quem dera esse tempo voltasse;

o amor era para os fracos,
e a gente só bebia vinho de galão,
e até altas da madrugada era dia ainda;

de manhã eu acordava,
colocava o uniforme,
e ia de bicicleta te ver;

pra gente correr pelo barro,
e a lama tomar os nossos corpos,
de glória;

e quando a mãe via aquilo,
nem batia,
mas ria daquela cara vermelha;

então a gente saia pra jogar,
e se jogava no mundo toda noite,
e ninguém vinha pegar na nossa mão;

era bobagem tudo aquilo,
e quando eu me dava conta,
você nem estava mais comigo;

e eu acordava chorando;




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